O representante da Anatel afirmou ainda que a regulamentação não deverá atrasar a implantação da TV 3.0.

Combate à desinformação entra no debate sobre futuro da TV

Para Cristiano Flores, presidente executivo da ABERT, o debate também precisa considerar a relação entre televisão, internet e acesso à informação.

Segundo os dados apresentados por Flores durante o painel, o brasileiro passa aproximadamente nove horas por dia conectado à internet, ao mesmo tempo em que o país apresenta baixos níveis de alfabetismo digital.

Nesse ambiente, o executivo defendeu que a televisão aberta possui papel relevante no enfrentamento da desinformação produzida em escala industrial.

Flores apontou três eixos considerados fundamentais para o futuro do setor: liberdade de expressão e fortalecimento do jornalismo, incluindo a proteção de conteúdos diante da inteligência artificial; regras claras e não discriminatórias para distribuição em plataformas digitais e televisões conectadas; e o pleno desenvolvimento da TV 3.0.

O presidente da ABERT também defendeu que a comunicação brasileira seja reconhecida como uma “Indústria Nacional Estratégica”.

Outro problema apontado foi a fragmentação das políticas digitais entre mais de seis secretarias do governo, cenário que, segundo Flores, dificulta a criação de uma política de Estado centralizada para o setor.

Emissoras abertas também se tornaram empresas de tecnologia

Samir Nobre, representante da ABRATEL, destacou que a televisão aberta já passou por diferentes transformações ao longo das últimas décadas, incluindo o surgimento da TV por assinatura, das plataformas de streaming e das redes sociais.

Nesse processo, as próprias emissoras ampliaram suas operações para além da transmissão tradicional, com plataformas digitais como Globoplay, Record Play e SBT Play.

A avaliação apresentada durante o painel é que a televisão aberta continua participando do debate político e social mesmo quando o conteúdo passa a ser consumido em outros canais digitais.

Como exemplo da relevância da TV, Nobre citou a propaganda eleitoral gratuita e provocou a plateia ao questionar se algum partido político apoiaria seu fim.

TV aberta também é patrimônio cultural, defende ASTRAL

O papel da televisão brasileira como patrimônio cultural foi outro ponto levantado no encontro.

Gerson Castro, presidente da ASTRAL, argumentou que a televisão aberta não deve ser compreendida somente como produtora e distribuidora de conteúdo, mas também como um elemento responsável pela formação cultural de diferentes gerações.

Dentro dessa perspectiva, Castro defendeu que a TV 3.0 seja tratada como patrimônio cultural do país.

O representante também chamou atenção para as TVs universitárias, que mantêm acervos históricos únicos e, segundo ele, precisam de políticas públicas de financiamento para preservação e continuidade de suas atividades.

A inteligência artificial também apareceu nessa discussão. Castro alertou para o uso da tecnologia na produção de vinhetas e outros materiais, apontando o risco de descaracterização da identidade construída pelas emissoras.

Brasil busca convergência internacional para padrão da TV 3.0

No campo técnico, Sérgio Santoro apresentou o trabalho realizado pelo Fórum SBTVD, que completa 20 anos em 2026.

O processo de desenvolvimento da TV 3.0 começou com uma chamada de propostas iniciada em 2019 e, segundo Santoro, recebeu reconhecimento internacional pela maneira como foi conduzido.

Durante a SET Expo, o Fórum SBTVD também assinou um memorando de entendimento (MoU) com ATC e TTA, da Coreia, voltado à convergência de padrões.

A intenção é aumentar a escala global das tecnologias adotadas e, consequentemente, ajudar a reduzir o preço dos equipamentos necessários para recepção. Os resultados dessa aproximação, entretanto, são esperados para os próximos anos e não de maneira imediata.

Santoro também destacou uma diferença entre os ambientes nos quais a televisão aberta e as plataformas digitais operam: enquanto a radiodifusão brasileira é altamente regulada, as plataformas digitais estão submetidas a regras diferentes.

TV 3.0 aproxima televisão aberta do mundo conectado

As apresentações realizadas durante o painel indicaram que a chegada da TV 3.0 não representa apenas uma atualização técnica do sinal de televisão.

A discussão envolve também como os canais serão encontrados em televisores conectados, de que maneira o conteúdo brasileiro será distribuído nas plataformas digitais e qual será o papel da televisão aberta em um ambiente no qual streaming, internet e radiodifusão estão cada vez mais próximos.

Com as primeiras operações previstas para 2027 e emissoras se preparando em diferentes capitais brasileiras, a próxima etapa da televisão aberta deverá depender tanto da implantação tecnológica quanto da construção de regras para esse novo cenário conectado.

SET Expo 2026

  • Congresso: 17 a 20 de agosto de 2026
  • Horário: das 9h30 às 17h
  • Feira: 18 a 20 de agosto de 2026
  • Horário: 18/8: 11h às 20h/ 19/8: 10h às 20h/ 20/8: 10h às 18h
  • Local: Centro de Convenções I e II – Distrito Anhembi
  • Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana, São Paulo (SP)

Fonte: Olhar Digital