A evolução do DTV+ e as perspectivas para futuras aplicações do 5G Broadcast estiveram entre os temas abordados por Raimundo Barros, presidente do Fórum SBTVD, durante entrevista concedida no IBC 2026, em Amsterdã. Ao comentar a participação da Europa no desenvolvimento tecnológico da televisão, Barros ressaltou que a relevância do continente está concentrada principalmente na indústria fornecedora de soluções para mídia e entretenimento, especialmente nas áreas de codificação, transporte e transmissão.
Segundo ele, empresas europeias seguem desempenhando papel fundamental no fornecimento de encoders, sistemas de transporte e transmissores já comprometidos com o desenvolvimento de produtos compatíveis com o DTV+. “A Europa continua sendo um componente essencial do ecossistema tecnológico necessário para tornar o DTV+ universal, escalável e economicamente viável para a radiodifusão brasileira”, afirmou.
Ao analisar a evolução do 5G Broadcast, Barros observou que a Europa lidera atualmente iniciativas de adoção da tecnologia, impulsionadas por discussões sobre uso de espectro em mercados onde a penetração da radiodifusão terrestre é mais limitada. No entanto, destacou que a realidade brasileira é diferente em razão da implantação do DTV+, tecnologia que já incorpora recepção móvel como característica nativa. “Do ponto de vista técnico, DTV+ e 5G Broadcast caminham para níveis comparáveis de desempenho. O fator decisivo será a formação de um ecossistema que reúna radiodifusores, operadoras, fabricantes, governo e toda a cadeia produtiva”, explicou.
O executivo acrescentou que as discussões conduzidas com a Anatel e o Ministério das Comunicações sobre a faixa de 600 MHz poderão abrir espaço para futuras aplicações de broadcast móvel, desde que respaldadas por estudos técnicos, definição de casos de uso e avaliações regulatórias.
Sobre o estágio atual de implantação do DTV+ no Brasil, Barros afirmou que o processo deverá ocorrer de forma progressiva, acompanhando tanto a evolução da infraestrutura das emissoras quanto a disponibilidade de receptores compatíveis no mercado. Ele citou a presença de set-top boxes, a participação de emissoras públicas, as iniciativas já em andamento da Globo e os compromissos públicos anunciados por Record e CNT para início das operações. “O DTV+ deve ser entendido como uma maratona, e não como uma corrida de velocidade. A adoção acontecerá gradualmente entre radiodifusores e consumidores, apoiada pelas diretrizes da política pública estabelecida para a nova geração da televisão aberta”, declarou.
Segundo Barros, a expectativa é que, ao final desse processo, a televisão aberta brasileira mantenha sua posição de referência tecnológica no cenário internacional.