Nota12.09

 

As emissoras de TV estão se preparando para digitalizar seus sinais em municípios pequenos e cumprir o cronograma definido pelo governo. Entre 2019 e 2023, haverá o desligamento do sinal analógico nessas regiões, impactando uma audiência estimada em 77 milhões de pessoas.

Em conversa com o NaTelinha, Roberto Franco, diretor de redes e afiliadas e assuntos regulatórios do SBT, aponta a crise financeira de algumas prefeituras como fator que dificulta a digitalização de alguns locais. “O SBT tem tomado todas as providências para que nenhuma cidade fique de fora. Existe uma grande dificuldade, que no passado foi atendida pelas prefeituras, mas que no presente não tem como financiar como fizeram antes. As emissoras e o governo encontrarão uma solução para manter o acesso de todos os brasileiros a esse meio tão importante que é a TV aberta”.

Já o diretor de tecnologia da Globo, Raymundo Barros, defende o compartilhamento de infraestruturas entre as emissoras como um caminho para atingir a meta e evitar que 4.244 municípios fiquem sem TV aberta. “No caso da Rede Globo, já cobrimos hoje 20 milhões desses habitantes. O grande desafio será digitalizar os 57 milhões não cobertos e acreditamos que uma forma inteligente e viável de endereçar essa questão é buscar o compartilhamento de infraestrutura entre todas as Redes, não apenas abrigo, torre e energia, mas também com antenas e transmissores modulares. Essa é uma forma de vencer este grande desafio e cumprir a meta”.

Segundo Barros, este é um processo que exige a união de todas as partes. “Essa colaboração é fundamental para acelerar a implantação do sistema e para esclarecimento da população. O Japão, por exemplo, fez um processo de switch off que deve ser seguido. Para que a migração acontecesse de forma satisfatória, foram visitados 20 milhões de domicílios”.

A Globo atualmente cobre 100% dos habitantes cujos municípios têm o desligamento previsto para o final de 2016, e 97% e 88% dos moradores que vão passar pelo mesmo processo em 2017 e 2018, respectivamente, com 547 estações digitais no ar em todo o Brasil.

“Outro fator importante para atingir a meta, além dos investimentos e compartilhamento de infraestruturas, é o processo de ações efetivas de comunicação. A Rede Globo realiza diversas ações voluntárias como campanhas nacionais e treinamentos para o varejo e antenistas. Uma ação muito representativa, por exemplo, é a Patrulha Digital, na qual investimos na formação de multiplicadores nas localidades que estão sendo digitalizadas. Com parceiros locais, capacitamos jovens de cursos técnicos do SENAI para que tirem dúvidas da população e auxiliem na correta instalação dos equipamentos”.

Já a Record, por meio da assessoria de imprensa, informou que está investindo na ampliação da cobertura, ao mesmo tempo em que lida com o desafio de conquistar concessões de outros canais. “Temos um desafio em algumas cidades que ainda dependem da concessão de novos canais, parcerias com prefeituras e transmissores adequados. Em alguns casos, a recepção que hoje é feita por parabólica, pode passar a receber sinal livre, aberto, gratuito e terrestre”.

Published in NOTÍCIAS
Página 8 de 8